Como higienistas ocupacionais, buscamos sempre evitar a exposição a agentes químicos, o que reduz a necessidade de usar EPI. Ainda assim, acidentes acontecem, e precisamos estar preparados para agir com segurança.
Derramamentos de produtos químicos podem ir de simples incidentes a situações graves. Nessas ocorrências, o socorrista está sujeito à superexposição, e os equipamentos de proteção individual são essenciais para reduzir os riscos químicos, físicos e biológicos.
No entanto, nenhum EPI oferece proteção total. O uso incorreto pode gerar novos perigos, como doenças causadas pelo calor, fadiga e dificuldade de mobilidade. Por isso, escolher a combinação correta de EPI é fundamental, buscando sempre um nível de proteção adequado, sem exageros nem falhas.
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Equipamentos de Proteção Individual (EPI)
Os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) são todos os dispositivos ou vestimentas utilizados pelo trabalhador com o objetivo de reduzir a exposição a riscos químicos, físicos ou biológicos que possam causar lesões, doenças ou até mesmo fatalidades.
Entre os principais tipos de EPI estão os de proteção respiratória, ocular e facial, da cabeça, da audição, das mãos e dos pés, contra quedas e também as roupas de proteção química, que formam uma barreira direta entre o corpo e o agente perigoso.
Essas roupas de proteção química podem variar conforme o tipo e a intensidade da exposição. Embora os trajes totalmente encapsulados sejam os mais lembrados, há diversas configurações possíveis, como macacões com capuz, aventais, jaquetas e calças de proteção, luvas e sobreluvas, mangas e perneiras, capuzes e protetores descartáveis para calçados. Cada combinação deve ser escolhida conforme o agente químico envolvido, a forma de exposição e o tempo necessário para a intervenção.
Níveis de Proteção
Os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) devem ser utilizados de forma combinada, formando o que se chama de “conjunto de proteção contra materiais perigosos”.
Tanto a Administração de Segurança e Saúde Ocupacional (OSHA) quanto a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) classificam esses conjuntos em quatro níveis de proteção: A, B, C e D, de acordo com o grau de risco e o tipo de exposição envolvida.
Nível A – Máxima proteção
Proporciona o mais alto grau de proteção respiratória, da pele e dos olhos. Indicado para situações com altas concentrações de vapores, gases ou substâncias desconhecidas.
Componentes típicos:
- Aparelho respiratório autônomo (ARSC) de pressão positiva com máscara facial completa ou respirador de pressão positiva com suprimento de ar e ARSC de escape
- Traje de proteção química totalmente encapsulado
- Luvas internas e externas resistentes a produtos químicos
- Botas de segurança resistentes a produtos químicos
Componentes opcionais:
- Unidade de resfriamento
- Macacão ou roupa íntima longa
- Capacete de segurança
- Traje, luvas e botas descartáveis usados sobre o traje principal
Nível B – Alta proteção respiratória e proteção limitada da pele
Oferece o mesmo nível de proteção respiratória do Nível A, porém com menor proteção da pele. Indicado quando há risco respiratório significativo, mas baixo potencial de contato direto com a substância.
Componentes típicos:
- Aparelho respiratório autônomo (ARSC) de pressão positiva ou respirador de pressão positiva com suprimento de ar e ARSC de escape
- Roupa com capuz resistente a produtos químicos
- Luvas internas e externas resistentes a produtos químicos
- Botas de segurança resistentes a produtos químicos
Componentes opcionais:
- Macacão ou protetores descartáveis para botas
- Capacete de segurança
- Protetor facial
Nível C – Proteção moderada
Fornece proteção respiratória e da pele em nível intermediário. Indicado quando o tipo e a concentração do agente são conhecidos e a atmosfera contém oxigênio suficiente.
Componentes típicos:
- Máscara facial completa ou semifacial com respirador purificador de ar e cartucho apropriado
- Roupa com capuz resistente a produtos químicos
- Luvas internas e externas resistentes a produtos químicos
Componentes opcionais:
- Macacão
- Botas ou protetores descartáveis resistentes a produtos químicos
- Capacete de segurança
- Máscara de fuga
- Protetor facial
Nível D – Proteção básica
Garante o menor nível de proteção, sendo utilizado apenas em ambientes controlados, onde não há risco respiratório significativo nem possibilidade de contato com agentes perigosos.
Componentes típicos:
- Macacão
- Calçados ou botas de segurança
- Óculos de proteção
Componentes opcionais:
- Luvas
- Protetores descartáveis para botas
- Capacete de segurança
- Máscara de fuga
- Protetor facial
Selecionando os níveis de proteção
Depois da avaliação de riscos, o próximo passo é definir o conjunto de EPI mais adequado. Essa escolha pode parecer complexa, mas quanto mais informações você tiver sobre o agente químico e as condições do ambiente, mais clara ela se torna.
A OSHA e a EPA propõem um ponto de partida baseado em condições típicas que justificam cada nível de proteção:
Nível A
Indicado quando há risco máximo de exposição. Deve ser usado quando:
- Há alta concentração de substância identificada em suspensão no ar, exigindo o mais alto nível de proteção para pele, olhos e sistema respiratório.
- A atmosfera contém menos de 19,5% de oxigênio (nesse caso, o nível B também pode ser aceitável).
- Há presença ou suspeita de substância altamente perigosa para a pele.
- A operação ocorre em área confinada ou mal ventilada.
- Existe alto potencial de respingos, imersão da pele ou contato direto com substâncias perigosas.
- Instrumentos de leitura direta indicam altos níveis de vapores ou gases desconhecidos e potencialmente perigosos.
- Não há instrumentos disponíveis para análise do ar, mas há suspeita de presença de substâncias altamente tóxicas.
Nível B
Utilizado quando a proteção respiratória ainda precisa ser máxima, mas o risco de contato direto com a pele é menor. Deve ser adotado quando:
- Há alta concentração de substância no ar, exigindo alto nível de proteção respiratória, porém permitindo menor proteção da pele.
- A atmosfera apresenta menos de 19,5% de oxigênio.
- A substância é desconhecida, mas não há suspeita de alto risco para a pele, nem de absorção dérmica significativa ou penetração fácil nas vestimentas.
Nível C
Adequado quando o agente químico é conhecido e as condições atmosféricas são seguras para uso de respiradores purificadores de ar. Deve ser usado quando:
- Não há substâncias que possam afetar negativamente a pele ou ser absorvidas por ela.
- As substâncias perigosas em suspensão no ar estão completamente identificadas.
- As concentrações não excedem os níveis IDLH (Imediatamente Perigoso à Vida ou à Saúde).
- O respirador purificador de ar disponível é eficaz para remover os contaminantes.
- A atmosfera contém pelo menos 19,5% de oxigênio.
- Todos os critérios de uso para respiradores purificadores de ar são atendidos.
Nível D
Oferece o menor grau de proteção e deve ser usado apenas em ambientes controlados, onde não há riscos químicos significativos. É indicado quando:
- O ar foi avaliado e não contém perigos acima dos limites de exposição permitidos.
- A atividade não envolve respingos, imersão, inalação inesperada nem contato com substâncias em níveis perigosos.
A escolha e revisão do conjunto de EPI é um processo dinâmico. O nível de proteção pode precisar ser ajustado conforme:
- As condições do derramamento mudam.
- Novas informações sobre os riscos são obtidas.
- As tarefas de resposta se tornam mais ou menos arriscadas.
- Um trabalhador relata desconforto ou necessidade de troca do conjunto.
Lembre-se: o EPI é a última linha de defesa durante a resposta a um derramamento químico. Sua seleção deve ser feita com cuidado, baseada em uma avaliação completa dos riscos, no desempenho dos equipamentos e nas condições reais do ambiente.
Nenhum guia substitui a observação constante das condições de campo. Monitorar o ambiente e revisar as decisões à medida que surgem novas informações é o que garante a segurança e a eficácia da proteção escolhida.
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